Conectando seu coração à luz da espiritualidade!
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Aqui apresentamos, uma variadade de textos de diversos autores com profundos valores de consciência.
Fique na companhia de palavras de luz numa sintonia maior!

 

NÃO ESTAS DEPRIMIDO ESTAS DISTRAIDO
Facundo Cabral


Não estás deprimido, estás distraído, distraído da vida que lhe habita  tem coração, cérebro, alma e espirito, então como podes sentir-se pobre e desprezado. Distraído em relação à vida que te rodeia: Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.

Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando no mundo existem 5,6 milhões. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me, o que é algo fundamental para viver.

Não cais no que caiu teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria aos noventa. Só para citar dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído, por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não podes ser dono de nada. Além disso, a vida não te tira coisas, a vida te liberta de coisas. Te alivia para que voe mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola, por isso, o que chamas de problemas são lições. E a vida é dinâmica, por isso está em constante movimento, por isso que devemos estar atentos ao presente, por isso que minha mãe dizia: eu me encarrego do presente, o futuro é assunto de Deus. Por isso Jesus dizia: o amanhã não interessa ele trará novas experiência a cada dia lhe basta com sua própria vontade.

Não perdeste nada, aquele que morre simplesmente está adiantado em relação a nós, porque para lá vamos todos. Além disso, o melhor é o amor que segue em teu coração. Quem poderia dizer que Jesus esta morto? Não existe a morte: existe mudanças. E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, Michelangelo, Whitman, São Agostinho, a Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditavam que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.

Não encontras a felicidade e é tão facil, só deves escutar teu coração antes que lhe intervenha tua cabeça, que está condicionada pela memória, e complica tudo com coisas velhas, com ordens do passado, com o prejuizo que adoenta, que acorrenta.
A cabeça que divide, é dizer empobrece. A cabeça que não aceita que a vida é como é e não como deveria ser. Faz apenas o que amas e serás feliz e aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando deve chegar, porque o que deve ser será, e chegará naturalmente. Não faças nada por obrigação nem por compromisso, apenas por amor. Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível. E sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a que me levantou quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus te tornou responsável por um ser humano, e é tu mesmo. A ti deves fazer livre e feliz, depois poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te de Jesus : "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que estás vendo, é uma obra de Deus; e decide agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição. Não algo que chegará de fora. Aliás, a felicidade não é um direito, e sim um dever, porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os que te amam. Um único homem que não possuiu nenhum talento nenhum valor para viver, mandou matar seis milhões de irmãos judeus.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Temos para gozar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros,  E o inverno de (...) As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman, as músicas de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven, as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e as duas são boas; se a doença ganha te liberta do corpo que é cheio de moléstias: tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas... e se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz. Livre do tremendo peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente,.... como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado. Ajuda a criança que precisa de ti , essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos, e os jovens lhe ajudarão quando o for. Aliás o serviço é uma felicidade segura como gozar a natureza e cuidar dela para aqueles que virão. Dá sem medida e te darão sem medida. Ama até que te tornes o ser amado, mais ainda converte-te no mesmíssimo Amor . E não te deixes confundir por uns poucos homicidas e suicidas, o bem é maioria, porém, não se nota porque é silencioso, uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida. O bem alimenta-se de si mesmo, o mal destrói-se a si mesmo. Se o mal soubesse que é um bom negocio ser bom, seria bom nem que seja por negócios.

Não estás deprimido, estás distraído. Se escutar ao outro, o que leva dentro, saberia tudo, em tudo encontraria algo para ti, então elevaria-se constantemente, e já não haveria confusões se não matizes, e nesta serenidade não querias nada, então encontraria tudo, e estando no presente diria e farias o que há de dizer e fazer em cada momento, natural e graciosamente, sem esforço o que faria com que tua relação com os outros fosse plena e o crescer no amor seria mais criativo sem limites e condições.

A ignorância nos faz sentir  presos e mortais, é dizer que nos fechamos e limitamos sozinhos o medo nos distrai do amor, que é sábio e valente porque sabe que não há medidas. Não esta deprimido, está distraído das maravilhas que acontecem ao seu redor. Desde o nascimento a colheitas, desde revoluções a concertos, desde campeonatos de futebol até viagens interplanetárias, não está deprimido por algo que passou, senão distraído de tudo, que é agora mesmo.

Facundo Cabral


 

AMOR SEM ESFORÇO
Ana Jácomo


Seria bacana se a gente pudesse dissolver a ilusão de que para sermos amados temos que ser outros que não nos habitam. Outros que não somos. Outros que, no fundo, não podemos ser, mas também não precisamos. Ter outras caras. Outros corpos. Outros gostos. Outros sonhos. Outros jeitos. É inútil qualquer esforço de tentar caber onde o nosso coração não está. Onde ele não pode nadar livremente, no tempo e no ritmo das próprias braçadas, aproveitando, feliz, o contato com a vida. Há um desperdício imenso de energia nessa história. É tenso demais viver para agradar, em troca de pertencimento, reconhecimento, alguma afeição. Maquiar as emoções, boicotar a própria essência, trocar a luz natural por luminárias artificiais, bolar planos fantásticos para chegar ao coração de quem quer que seja. Cansa, só de imaginar.

Além de inútil, é perigoso. Perigoso porque dói, mesmo quando faz aumentar nossos índices de popularidade. Nosso catálogo de endereços eletrônicos. Nossas referências no caderno de telefones. Nossa lista de contatos do celular. Perigoso porque requer de nós muito malabarismo emocional para não trairmos as personagens que criamos para atender as demandas alheias. É trabalhoso demais tentar ser o que não se é. Exaustivo. Drenagem pura. E, no fim das contas, o que buscam essas pessoas que queremos que nos amem? Procuram por nós ou pelas pessoas que tentamos parecer? Por nós ou pelas pessoas que querem que sejamos? Se não for por nós, não tem importância alguma. A leveza escoa, assustada, ralo afora. Se não for por nós, não é de verdade.

De vez em quando nós lembramos para, em geral, esquecer outra vez pouco depois: o amor não pede esforço. O amor acontece. Somos amados assim do nosso jeito. Assim do nosso tamanho. Assim do nosso lugar. Somos amados como somos, já preciosos. Isso é de uma liberdade que raramente sentimos ser capazes. As pessoas mais interessantes que conheço não fazem sacrifícios para ser amadas. São do jeito delas. Se são amadas, maravilha. Se não, vida que segue, mais a frente os encontros virão e é bem provável que tenham mais a ver com elas. A diferença que conta é que, à parte o amor que possam receber, elas são amadas por elas mesmas. Estão confortáveis por ser como dá pra ser a cada instante.

São pessoas que não querem mostrar nada além da espontaneidade que já conseguem. Não querem caber onde lhes falta espaço. Não têm a pretensão de ter montes de amigos: se tiverem um, capaz de amá-las, de verdade, já estão no lucro. Querem amar e ser amadas, sim, desde que cada pessoa tenha liberdade para ser. Nadam no ritmo delas, no tempo delas, nesse mar de águas tantas vezes turbulentas da vida. E consideram cada braçada uma vitória. Uma possibilidade de encontro. Se não acontecer, vez ou outra, continuam contando com o próprio pertencimento. O próprio reconhecimento. A própria afeição.

Ana Jácomo

 

A CURA PELO PODER ILIMITADO DE DEUS
Paramahansa Yogananda


Há três tipos de doença: física, mental e espiritual. A doença física ocorre devido às diferentes formas de condições tóxicas, processos infecciosos e acidentes. A doença mental é causada pelo medo, preocupação, raiva e outros distúrbios emocionais. A doença espiritual deve-se à ignorância do homem sobre sua verdadeira relação com Deus.

A ignorância é o mal supremo. Quando a eliminamos, também eliminamos as causas de todos os distúrbios físicos, mentais e espirituais. Meu Guru, Sri Yukteswarji, costumava dizer: “A sabedoria é o melhor depurativo.”

Tentar vencer os vários tipos de sofrimento pelo poder limitado dos métodos materiais de cura muitas vezes acaba em frustração. Somente no poder ilimitado dos métodos espirituais pode o homem encontrar a cura permanente para as “desordens” do corpo, da mente e da alma.

Devemos procurar em Deus esse poder infinito de cura. Se você tem sofrido mentalmente com a perda de entes queridos, poderá reencontrá-los em Deus. Tudo é possível com o Seu Auxílio.

Se não conhecemos realmente a Deus, nada justifica afirmar que só a mente existe, e que não é preciso observar regras de saúde, nem recorrer a quaisquer meios físicos de cura. Enquanto não atingirmos a verdadeira realização, temos de usar o bom senso em tudo que fizermos. Ao mesmo tempo, jamais devemos duvidar de Deus e, sim, reafirmar constantemente a fé em Seu divino poder onipresente.

Os médicos procuram conhecer as causas das doenças e eliminá-las, para que as enfermidades não retornem. Geralmente, são muito hábeis no emprego de determinados métodos materiais de cura. Entretanto, nem todas as doenças reagem aos métodos e à cirurgia; nisso reside a principal limitação desses métodos.

Substâncias químicas e remédios afetam apenas a composição física externa das células do corpo, mas não alteram sua estrutura atômica interna ou princípio vital. Em muitos casos, nenhuma cura é possível enquanto o poder curativo de Deus não tiver corrigido, internamente, o desequilíbrio dos “vitrátrons”, ou energia vital inteligente do corpo.

As duas causas básicas das enfermidades são a subatividade e a superatividade do prana, energia vital que estrutura e sustenta o corpo. O funcionamento inadequado de uma (ou mais) das cinco correntes prânicas que governam o corpo-vyana, circulação; udana, metabolismo; samana, assimilação; prana, cristalização; e apana, eliminação – afeta negativamente a saúde.

Quando o equilíbrio natural e harmonioso das energias sutis é restaurado pelo divino poder de Deus, o equilíbrio atômico das células físicas por elas sustentadas também se restabelece; nesse caso, a cura é perfeita e muitas vezes instantânea.

Enquanto a vitalidade se mantiver equilibrada pelo modo de viver correto, dieta apropriada e meditação com pranayama (técnicas de controle da energia vital), a energia vital do próprio corpo “eletrocutará” a doença antes que ela possa se desenvolver.

Paramahansa Yogananda

 
 

EM BUSCA DE UMA RESPOSTA
Evaldo Ribeiro


Às vezes, precisamos de um instante de silêncio só para nós. Isso mesmo, voltar o foco para dentro, repensar e reavaliar as nossas escolhas, porque em certos momentos tudo parece não ter mais sentido para continuar, não enxergamos um palmo diante do nariz e a cabeça parece mais pesada que o corpo. Nessas horas de conflito existencial o desânimo é tão grande que parar diante de um espelho para se olhar é um encontro desconfortável entre o reflexo e o real. Os defeitos aparecem mais que as qualidades! É como sentar no banco do réu para ouvir a sentença de um erro que não cometemos, e por não gostar da imagem que vemos nos criticamos, nos punimos e aplicamos em nós mesmos a pena máxima: Viver no isolamento. Se distanciar por um momento seria construtivo se isso fosse só por um instante, até que as idéias se acentuassem e a ordem mental se restabelecesse.

 

Quando estamos desconectados de nossa essência, nada se encaixa no imenso espaço vazio que nos consome interiormente e os outros agem como se estivessem em nossa pele. Dão conselhos, cobram atitude e alguns nem param pra pensar se o que vão falar vai ajudar ou machucarmais ainda. Sabe aquelas pessoas que a boca delas fala primeiro que o raciocínio?!! Elas não toleram ouvir, mas adoram falar, e quando encontram alguém passando por um desafio, parecem papagaios repetindo frases motivacionais do tipo “não se entregue, seja forte, reaja”. Isso mesmo elas vivem atoladas em princípios filosóficos que jamais servirão para aliviar a dor de quem está passando pelo processo de reconhecimento íntimo, porque cada um de nós está no seu tempo de evolução... e esse compasso na dança da vida jamais será acelerado através de motivação. É uma descoberta individual que só vai se concretizar quando o rio da consciência se desapegar do passado, contornar as situações imutáveis em um prosseguir sem remorso até se lançar no mar e se livrar das sujeiras que arrastou... pelo caminho de ontem. A vida é sábia e nos coloca dentro de situações reveladoras, onde os nossos conceitos são levados à prova e, depois de testados, somos convidados a mudar, porque os conhecimentos que tanto defendemos como regras de boa conduta, não funcionam dentro da convivência com as diferenças, muito menos como verdades absolutas. Muitas pessoas dentro dessa sociedade dita “evoluída” estão seguindo em rua sem saída !!! Dominadas pela ansiedade, se encontram, mas não sabem para onde vão nem onde querem chegar. Conversam, mas não se ouvem. Se abraçam, mas não se sentem. Se beijam, mas não se entregam de corpo e alma. Porque o medo de perder o controle das situações é o alicerce de suas relações. A insatisfação e a inquietude estão estampadas em seu rosto refletindo as sombras de suas decepções. Diariamente nas ruas, no trabalho e nas relações nos deparamos com pessoas perdidas de sua essência, em busca de um domínio crucial sobre os outros.
 

Afogadas na amargura, não acordam da loucura nem quando chegam ao fundo do poço, atacam como cães vira-lata que brigam até por um osso. Se sentem menos, e por isso tem a necessidade de rebaixar as qualidades de quem se destacou por medo de perder um posto. Mesmo desmaiando de cansaço na calçada do desgosto, prosseguem fechando o caminho de quem venceu, acreditando que assim, chegarão ao topo. Talvez você já não suporta mais conviver com a maldade de certas pessoas e muito menos sabe como se proteger das agressões psicológicas utilizadas por elas para tirar a sua paz de espírito. Se o seu desejo é vencer, mude a tática do jogo. Mantenha-se em equilíbrio e concentre a sua energia nos seus objetivos. Reajuste o seu refletor de luz para o palco onde você deseja transformar a sua vida em um espetáculo. Não dê bola para os adversários, eles são barulhentos, mas na hora de jogar pelo bem... são fracos. Fique longe da corrente de energia negativa das pessoas que vivem espalhando a discórdia. Evite reclamar, atacar ou difamar as pessoas opressoras diante de outras. Os atos agressivos delas já fazem isso. Seja um praticante da comunicação eficiente, procure falar só o que é construtivo a respeito de pessoas que estão ausentes. Lembre-se: o mal tem mais facilidade para ser divulgado que as ações que trazem bons resultados. Não leve a sério as críticas de pessoas que agem apenas com o objetivo de atacar. Elas geralmente vivem abaixo do nível da felicidade e querem destruir aquilo que ainda não conseguiram conquistar. Se você divide espaço com uma pessoa insegura e a sua qualificação social é mais elevada, evite exaltar o seu conhecimento diante de quem vive uma realidade abaixo da sua, porque em vez de se aliar ao seu desenvolvimento para crescer também, ela se sentirá é ameaçada. Se coloque na condição de igualdade, mesmo que a sua parede estejar epleta de certificados de pós-graduação. O que vale não é saber muito, é ser útil com a sua evolução. Isso não significa se anular ou se colocar abaixo da sua formação. Mas sim, usar a simplicidade para tanger as diferenças que causam a desunião. É claro que o melhor seria compartilhar os nossos momentos com pessoas bem-humoradas. Afinal, nada é mais contagiante que somar a nossa força com pessoas realizadas. A energia delas desperta em nós sentimentos elevados. Porém, precisamos aceitá-las além da aparência social, porque muitas vezes atrás de um lindo sorriso de porcelana, ainda existem as marcasde um drama. A magia da vida está na atitude daquele que coloca o seu dom para promover o bem-estar dos que ainda não se descobriram. Por que gastamos tanta energia tentando colocar na cabeça dos outros conceitos que só cabem em nossa cabeça? Cada um de nós é conduzido pelos seus próprios sentimentos. Não adianta desperdiçar tempo tentando fazer mudar de idéia quem está apaixonado, porque quem descobriu o amor.....só quer mesmo... é serbeijado. Não discuta o seu ponto de vista nem a sua filosofia de vida com ninguém. A verdade é uma só para todos e cada um só defende aquilo que lhe convém. Os conflitos só acontecem porque nos colocamos acima da justiça na ilusão de que os outros negarão a sua própria verdade para olhar a vida pela nossa visão. Alguns até aceitam esse condicionamento forçado para evitar discussão, mas com o passar do tempo percebem que abandonar as suas próprias escolhas para viver a verdade dos outros...... é trocar a felicidade pela depressão. Ninguém é só qualidade ou só defeito, a jóia está contida em tudo e em todos. Apenas precisamos aprender a lapidar pedras brutas até transformá-las em preciosidades. É preciso ter a consciência de que não adianta sair por aí dizendo tudo que pensa sem agregar nas palavras o sentimento de amor. Porque muitas pessoas já foram tão machucadas que se acostumaram a conviver com o sofrimento e a dor!!! Se você deseja colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente, então... só ofereça aos outros o que você deseja receber de presente: o time das pessoas que jogam pelo bem...pode até não fazer muitos gols, mas sabe driblar os adversários com jogadas... que ficam vivas... PARA SEMPRE.

Evaldo Ribeiro

 

COMEÇAR DE NOVO
Emmanuel


Erros passados, tristezas contraídas, lágrimas choradas, desajustes crônicos!...
Às vezes, acreditas que todas as bênçãos jazem extintas, que todas as portas se mostram cerradas à necessária renovação!...
Esqueces-te, porém, de que a própria sabedoria da vida determina que o dia se refaça cada amanhã.
Começar de novo é o processo da Natureza, desde a semente singela ao gigante solar.
Se experimentaste o peso do desengano, nada te obriga a permanecer sob a corrente do desencanto. Reinicia a construção de teus ideais, em bases mais sólidas, e torna ao calor da experiência, a fim de acalentá-los em plenitude de forças novas.
O fracasso visitou-nos em algum tentame de elevação, mas isso não é motivo para desgosto e auto-piedade, porquanto, frequentemente, o malogro de nossos anseios significa ordem do Alto para mudança de rumo, e começar de novo é o caminho para o êxito desejado.
Temos sido desatentos, diante dos outros, cultivando indiferença ou ingratidão; no entanto, é perfeitamente possível refazer atitudes e começar de novo a plantação da simpatia, oferecendo bondade e compreensão àqueles que nos cercam.
Teremos perdido afeições que supúnhamos inalteráveis; todavia, não será justo, por isso, que venhamos a cair em desânimo.
O tempo nos permite começar de novo, na procura das nossas afinidades autênticas, aquelas afinidades suscetíveis de insuflar-nos coragem para suportar as provações do caminho e assegurar-nos o contentamento de viver.
Desfaçamo-nos de pensamentos amargos, das cargas de angústia, dos ressentimentos que nos alcancem e das mágoas requentadas no peito! Descerremos as janelas da alma para que o sol do entendimento nos higienize e reaqueça a casa íntima.
Tudo na vida pode ser começado de novo para que a lei do progresso e de aperfeiçoamento se cumpra em todas as direções.
Efetivamente, em muitas ocasiões, quando desprezamos as oportunidades e tarefas que nos são concedidas na Obra do Senhor, voltamos tarde a fim de revisá-las e reassumi-las, mas nunca tarde demais.

Emmanuel

 

AGIR COM CORAGEM E DETERMINAÇÃO
Sérgio Stum


Esta é a tônica do especial de hoje, que nos convida ao movimento consciente. Ação que dá seguimento à observação clara, aquela que nasce da nossa essência, que no silêncio interior encontra inspiração, respostas e o indispensável estímulo. Somos seres perfeitos e dispomos de tudo; absolutamente tudo o que precisamos está ao nosso alcance, pronto para o uso... só falta fazer. 
Realizar nossa missão (todos temos uma), cumprir nossa única tarefa na teia da vida para que nossa encarnação tenha valido a pena, mesmo que a contribuição tenha sido aparentemente silenciosa, humilde e bem longe dos holofotes, da aprovação alheia, da cobertura da mídia.

Se ainda precisamos -todos nós-, discorrer sobre isto, é sinal que não estamos cumprindo com nossa tarefa; provavelmente estamos acomodados, cansados de tanto trabalhar, de tantas dificuldades nos assolando di ariamente e exigindo um enorme dispêndio de energia, que acaba nos deixando apáticos, por vezes indiferentes e até totalmente adaptados com a situação. Sei bem como é fácil ao chegar em casa, cair na tentação de ligar a TV e desabar no sofá na esperança que a cada vez mais pobre programação das emissoras nos brinde com algo legal, positivo e que nos distraia a mente, nos permitindo relaxar e dar finalmente algumas boas risadas. 

No entanto, se ainda nos encontramos assim, esperando que o dia termine o quanto antes, e que a noite -com seus raros sonhos-, nos permita uma fugaz escapada da realidade e da rotina, bem... algo precisa ser feito e o quanto antes. 
Precisamos -quem sabe- resgatar a energia, a curiosidade e o deslumbramento daquela criança que fomos, feliz e incansável por suas descobertas, sua capacidade de achar um mundo novo em um simples objeto de pano, num animal doméstico, no céu noturno cheio de estrelas prateadas... 

Quando foi que nos perdemos no caminho, nos afastando tanto assim da Fonte, da Origem, do Universo ao qual pertencemos de fato desde sempre?
Será que o mundo da ilusão (O real é o de quando éramos crianças), conseguiu nos formatar num padrão distorcido, embotar nossa consciência, embaçando quase por completo nossa visão? Abafamos nosso poder, bastando nos rendermos e aceitarmos por completo os valores materiais, o consumismo compulsivo e predominante, esquecendo de vez nossa linhagem divina... 
Quanto tempo e energia desperdiçaremos ainda antes de retornar ao caminho correto? Como podemos nos contentar com as migalhas de um banquete trivial quando nos espera um êxtase permanente, magnífico e sagrado -impossível de descrever, só experimentando-, que nos pertence desde sempre, sendo parte de nossa natureza e, ainda melhor, que mora dentro de nós mesmos!? 

Por que entregamos a outros, ardilosos e sombrios sugadores, nossa energia divina!? Como e quando abrimos mão da e ssência e deixamos os valores perenes de lado, esquecidos?! É indispensável assumir novamente a autonomia e a integridade de nossas opiniões, criando coragem para sairmos de um círculo vicioso de controle e condicionamento externo, que nos esmaga e massifica. 
Precisamos cerrar fileiras, manter os olhos bem abertos para evitar que as trapaças urdidas pelos manipuladores de plantão nos tirem a saúde, a paz e o centramento.
É urgente voltarmos a vibrar autoconfiança, auto-estima e, acima de tudo, amor incondicional, aquele que cura, resgata, volta para nós multiplicado e que se encontra por toda parte, abundante e sempre disponível a todos como a luz, o ar, a água... 

É imprescindível reconhecer e resgatar a sublime energia da Unidade, ter atração pelas diferenças, enxergar muito além do físico, do palpável; navegar sem medo no grande mar do inconsciente, nele encontrando alento e respostas pertinentes às necessidades da Alma. Não há como esquecermos ainda de que nossa passagem pelo planeta azul é fugaz, rápida e corresponde a uma simples respiração do Universo, tendo sempre em mente que a impermanência é a mais constante companheira de jornada, sugerindo-nos evitar o desperdício de tempo e energia com aspectos supérfluos e desnecessários da existência. 

É preciso darmos toda nossa contribuição criativa, empregando os recursos de que dispomos em nossa área de atuação, em nossa casa, à nossa volta, quer seja tarefa simples ou complexa, remunerada ou gratuita. Quanto antes descobrirmos nossas potencialidades, melhor será para todos, mais belo e florido nosso pedaço de mundo se tornará. E esses preciosíssimos dons inatos farão toda a diferença, serão como um lindo buquê cheio de habilidades, capacidades e competências que em muito superam o aprendizado educacional atualmente disponível em seus vários níveis. Acredite nisso, acredite em Você. 

Procuremos também libertar-nos de preconceitos e prejulgamen tos adquiridos ao longo da caminhada que não estejam em sintonia com a verdade, herdados de familiares e educadores ainda limitados em sua evolução, mantendo-nos abertos e atentos para idéias novas, bem como para experiências interiores inesquecíveis e transformadoras. A perene busca pelo autodesenvolvimento normalmente passa longe da aceitação de doutrinas e crenças, seguidas pela grande maioria, que ainda se encontra adormecida, mas que pode estar a um passo do despertar, quando tocada da forma correta e no momento certo. 

E sempre é bom lembrar o quanto vale a pena limpar nosso fardo, procurando nos libertar dos obstáculos internos, das feridas da infância, dos velhos erros, de tudo que não é amor. Muitos têm andado com perseverança no caminho e, de forma por vezes criteriosamente suave ou até instantânea, começaram a manifestar novos talentos, liberando como por magia toda a criatividade latente... e esta matéria prima também está abundante em cada alma hum ana... 
Sim, quando agimos e reagimos a partir de nossa essência, de nosso centro, conseguimos milagres, chegando a tocar o núcleo de Luz dos outros com minúsculas, mas poderosas sementes luminosas, mesmo que estes seres ainda se encontrem longe de empreender sua própria busca. É a lei de afinidade em ação, que atrai pessoas similares e repele as indiferentes, as ainda destrutivas, superficiais, mas que também, em data certa, chegarão lá... 

E isso é tudo. Não me surpreende mais tanta repetição de temas; provavelmente estejamos todos precisando ler, reler, meditar e passar a vivenciar sempre, a cada momento, a cada passo dado, as leis do amor. A ter alegria, felicidade e orgulho em assumir e deixar transbordar em nossa vida o verdadeiro Amor. 
Incorporar o sentimento que supera de longe qualquer outro, que dispensa livros e ensinamentos dogmáticos, o que todos -do mais humilde ao mais dotado- podem compreender por completo: "Ame ao seu próximo como a s i mesmo". 


Sim, somos um só - eu sou o outro Você,
Sergio - STUM 
(Muito agradecido, meus Guias, Rodolfo, Lidiane, Sandra e Teresa... sem Vocês este boletim não estaria acontecendo).


 

 

O POÇO
Pablo Neruda


Cais, às vezes, afundas em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera, e mal consegues
voltar, trazendo restos do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos, rancorosa e ferida?

Não acharás, amor, no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri se minha boca fere.
Não sou um pastor doce como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda

 

SOBRE O MEDO DE PERDER: DELÍRIOS DE ONIPOTÊNCIA
Antônio Roberto Soares


A mais marcante semelhança em todos os escritos cristãos com as doutrinas dos plantonistas de Alexandria, é encontrada nos famosos trabalhos de São Dionísio.  Esse santo era o Aeropagita que aderiu a São Paulo depois do seu discurso em Atenas.  Não era sabido por três ou quatro séculos depois da morte de Dionísio que seus trabalhos eram existentes ou mesmo que ele tinha escrito qualquer trabalho.  Eles apareceram abruptamente na controvérsia entre a igreja e o lado dos hereges e foram classificados como sendo em favor dos hereges.  Eles tem especulações e sua piedade mística suave sempre encontraram admiradores e até mesmo defensores da sua qualidade genuína.

A doutrina favorita das três ordens da igreja, bispos, padres e diáconos como cópia e símbolo das três ordens na hierarquia celestial sempre foi fazê-las queridas aos homens de igreja.  O abade Darboy, numa recente introdução aos trabalhos de São Dionísio mostrou que o autor desses trabalhos foi inclusive o Aeropagita convertido por São Paulo que vivia nos dias em que São João era bem conhecido como um teólogo, apóstolo e evangelista em exílio em Patmos; quando Timóteo e Tito eram bispos de Éfesos e Creta e quando Pedro era papa em Roma.  Além disso, que esse Dionísio esteve certamente presente no funeral das obséquias da Virgem Maria, que ele tenha sido feito bispo de Atenas, tendo deixado sua diocese grega indo como missionário à França, tornando-se o venerado São Denis, que fundou a igreja de Gauls é sabido. “Ele não tomou emprestado de Plotinus” diz o abade Darboy. “mas foi Plotinus que tomou emprestado dele.” Guizot, que estava menos interessado em defender as “ três ordens” e não concernia pela admissão que os pais do cristianismo beberam dos escritos da filosofia neoplatônica, faz uma diferença de ponto de vista entre àquela do abade Darboy.  “O neoplatonismo”, ele diz, “quando foi perseguido e abandonado pelos príncipes, declinado e perseguido, não teve outra alternativa além de perder-se no seio do inimigo.”  A opinião de Brucker é quase a mesma. “Os trabalhos de São Dionísio introduziram o platonismo alexandrino no ocidente e deixaram o legado da fundação desse sistema de teologia mística que antes tinha prevalecido tão grandemente.”  Ele descreve-a como “ uma entusiástica filosofia nascida no oriente, sustentada por Platão, ensinada em Alexandria, amadurecida na Ásia e introduzida sob a chancela e autoridade de um homem apostólico na igreja ocidental.”

Antes da Reforma, a originalidade desses escritos forma uma questão aberta na igreja católica e para alguns ainda é assim.  No Concílio de Trento eles foram apelados como sendo genuínos.  Desse tempo em diante, muitos teólogos consideraram essas doutrinas em harmonia com os ensinamentos da igreja.

Nós já vimos como os discípulos de  Platão na Alexandria consideravam o universo do ser, na qual estavam todos os níveis de existência desde o primeiro Um até o que é nada.  Nós já vimos como Porfírio e Proclus preencheram os espaços intermediários que estavam encima e embaixo do ser, com hipóstases da Trindade, deuses, pagãos, demônios, heróis, homens, animais, vegetais e matéria não-formada; o todo que tem em Deus, onde quer que houvesse a verdadeira existência, ela a possuía.  São Dionísio, como cristão, tinha que expulsar todos os deuses e demônios da totalidade pagã do ser e, como bom homem de igreja, saciar seus lugares com existências mais ortodoxas.  Ao invés de uma corrente, começando com Deus ou uma pirâmide na qual o topo era a unidade primeira, São Dionísio concebeu uma habitação central e especial do Eterno, ao redor da qual estavam todas as ordens do ser em círculos consecutivos do maior até o menor.  Primeiro, estavam os querubins, serafins e os tronos.  Abaixo deles, os domínios, as virtudes e os poderes.  Depois, principados, arcanjos e anjos.  Da hierarquia celeste, a eclesiástica foi uma cópia: bispos, padres e diáconos.  Os “três” do pagão Proclus foram tríades do cristão Dionísio.  Todas as coisas trinas não eram uma unidade?  O Supremo Um era uma trindade.  Cada nível era uma trindade.  A hierarquia eclesiástica era uma trindade.  Fora do celestial, está imediatamente abaixo dos anjos, a ordem dos seres abençoados com o intelecto como o homem, depois aquelas que tem sentimentos mas não razão e, por último, criaturas que simplesmente existem.  Luz e sabedoria, graça e conhecimento, emanam do supremo e se espalham entre todos os níveis do ser.  O divino permeia tudo.  O Supremo Um tem os chamado em seus vários degraus e de acordo com suas várias capacidades para serem compartilhadores da sua existência.  Sua essência é o ser de todos os seres, indo tão distante quanto eles existem.  Até as coisas inanimadas compartilham da divindade.  Aqueles que meramente vivem partilham naturalmente da energia vital que é superior à toda vida, porque abarca toda a vida.  Os seres com razão e inteligência partilham da sabedoria que é maior do que toda sabedoria e que é essencialmente uma perfeição eternamente.  Os seres superiores estão unidos a Deus pela contemplação transcendente desse padrão divino e, buscando a luz, eles obtém tesouros superabundantes de graça e, desse modo, expressam a majestade da natureza infinita.  Todas essas ordens admiram o superior.  Cada uma foi desenhada pelo Supremo e cada uma desenha a si própria no nível abaixo dele; e então num progresso contínuo de seres em que cada uma é maior e descendem continuamente do divino, elevando todos os níveis e ajudando uns aos outros no progresso até Deus.  A divindade ultrapassa todo conhecimento.  Está acima de todo pensamento e de toda substância.  Assim como o sensível não pode entender o inteligível, como o múltiplo não pode entender o simples e imaterial, como o corpóreo não pode entender o incorpóreo, assim também, o finito não pode entender o infinito.  Ele permanece superior a todos os seres – uma unidade que escapa a toda concepção e a toda expressão.  Ele é uma existência diferente de todas as outras existências, o autor de todas as coisas e, ainda, nenhuma coisa: ultrapassa todas as coisas.  Nós devemos pensar e falar de Deus apenas como as sagradas escrituras falaram e elas o declararam incognoscível.  Os teólogos o chamam infinito e incompreensível, sendo ainda, assemelhado a um abismo,  tentar dar conta do mistério e das profundidades da divindade.  Nós não podemos entende-lo e , ainda assim, ele nos dá participação no seu ser.  Ele desenha dos seus tesouros infinitos e, acima de todas as coisas, ele difunde as riquezas do seu esplendor divino.

São Dionísio antecipa uma objeção de que se Deus excede palavras, pensamentos, conhecimento e ser, se ele eternamente abraça e penetra todas as coisas, se ele é absolutamente incompreensível como nós podemos falar de nomes divinos?  Ele responde, primeiro, que para exaltar a grandeza de Deus e para mostrar que ele não é identificado com qualquer ser em particular, ele não pode ser chamado de nenhum nome.  E também, em segundo lugar, nós devemos chama-lo por todos os nomes, como Eu sou, vida e verdade, Deus dos deuses, Senhor dos senhores, sabedoria, ser, eterno, antigo dos dias.  Ele está no coração, no corpo e na alma.  Ele está no mundo, entre o mundo e acima do mundo.  Ele está acima do céu e de todo ser e ele é, ainda, o sol, a lua, as estrelas, a água, o vento e o fogo.  Ele é o orvalho e os vapores.  Ele é tudo que é e ainda, o nada de tudo.   Na infinita riqueza e simplicidade da sua natureza, ele tem eternamente visto e abraçado todas as coisas, qualquer realidade em qualquer coisa deve ser afirmada por ele.  Assim como as linhas desenhadas do centro de um círculo para a circunferência, assim são até as menores existências unidas a Deus.  “O abençoado Hierotheos” diz São Dionísio, “ ensinou que a divindade de Jesus Cristo é a causa e o complemento de todas as coisas.  Ela mantém tudo em harmonia sem ser tudo nem uma parte e, ainda, está em tudo e em toda parte, porque compreende tudo e, por toda a eternidade possui tudo e todas as partes.  Substância augusta! Ela penetra todas as substâncias, sem afetar sua pureza e sem descender da sua sublime elevação.  Ela determina e classifica os princípios das coisas e, ainda, permanece pré-eminentemente sobre todos os princípios e toda classificação.  Sua plenitude aparece nas criaturas que não a tem e, é superabundante, brilhando, nas criaturas que a tem.”  “Como na natureza universal” diz o Aeropagita, “os diferentes princípios de cada natureza particular são unidos numa perfeita e harmoniosa unidade – como na simplicidade da alma - a multiplicidade de faculdades eu servem, a necessidade de cada parte do corpo é unida, assim nós devemos ver todas as coisas, todas as substâncias, até as mais opostas em si mesmas coo unidas numa unidade indivisível.”  Dessa unidade tudo provém.  Ela tem uma existência compreendida em Deus mas não compreende a ele.  Ela partilha dele, mas não partilha, ao mesmo tempo, porque ele precede de todo ser e de toda duração.  Da sua vida brota toda vida.  O que quer que exista agora, existiu na simplicidade da sua fé nele.  O Aeropagita antecipou uma objeção da existência do mal.  Ele sofreu, coo todos os predecessores e sucessores que sentiram a mesma dificuldade para estabelecer a sua existência.  Não que ele dissesse que não havia nenhum mal no mundo, mas ele não era um ser real e, consequentemente, não poderia emanar do seu ser.  Ele é apenas uma acidente do bem, não tendo uma existência em nenhum lugar.

Sobre a impossibilidade de conhecer o infinito, São Dionísio e Plotino concordam inteiramente. Todas as coisas falam de Deus, mas nada fala da inteireza das suas perfeições.  Nós sabemos tanto por nosso conhecimento quanto por nossa ignorância.  Deus é acessível pela razão através do seus trabalhos e nós o discernimos pela imaginação, por sentimento e por pensamento e, ainda, ele é incompreensível e inefável, para ser chamado por nenhum nome.  Ele não é nada que possa nos habilitar a que possamos compreendê-lo.  Ele é todas as coisas e, essencialmente, ele não é nenhuma delas.  Todas as coisas o revelam mas nenhuma suficientemente o declara.  Nós podemos chama-lo de nomes de todas as realidades porque ele tem alguma analogia com tudo o que produziu, sublime ignorância dele que nós alcançamos por uma incompreensível união com ele.  Então nós sentimos o quanto incognoscível ele é, então a alma esquece de si mesmo e mergulha no oceano eterno da Divindade; então, ela recebe a luz entre os bilhões de luzes da glória divina e irradia entre os abismos brilhantes da sabedoria inefável.

Livre tradução do livro Pantheism and Christinity de John Hunt . 1884 . Capítulo VI,  a igreja . Dionísio, o Aeropagita

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